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Luiz Neto faz balanço de quatro anos à frente da Casal e destaca avanços em gestão, infraestrutura e segurança hídrica

Luiz Neto faz balanço de quatro anos à frente da Casal e destaca avanços em gestão, infraestrutura e segurança hídrica

31 de maio de 2026

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Presidente da maior empresa pública de Alagoas avalia os desafios da transformação do saneamento, destaca investimentos em abastecimento de água, esgotamento sanitário, eficiência energética e sustentabilidade, e projeta o futuro da Companhia com a gestão do Canal do Sertão

Com mais de 15 anos de atuação na própria Casal, Luiz Neto chega à marca com um histórico de ações voltadas à reestruturação da Companhia e à ampliação da capacidade operacional da empresa. Foto: Arquivo Casal/2026

Assumir a presidência da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) significou liderar uma das instituições mais estratégicas para o desenvolvimento do estado. Responsável pela produção de água tratada que chega diariamente a cerca de 2 milhões de pessoas em 76 municípios, a Companhia atravessou, nos últimos anos, um dos períodos mais importantes de sua história, marcado pela transformação do setor de saneamento, pela modernização da gestão pública e pela necessidade de fortalecer a segurança hídrica de Alagoas.

No dia 31 de maio de 2026, o engenheiro civil Luiz Cavalcante Peixoto Neto completa quatro anos à frente da maior empresa pública alagoana. Com mais de 15 anos de atuação na própria Casal, o gestor chega à marca com um histórico de ações voltadas à reestruturação da Companhia e à ampliação da capacidade operacional da empresa.

Ao longo de sua gestão, a Casal registrou avanços em áreas consideradas importantes, como governança corporativa, modernização administrativa, eficiência energética, sustentabilidade ambiental, saneamento e expansão da infraestrutura hídrica. Entre os principais resultados estão a reestruturação patrimonial que elevou o patrimônio líquido da empresa para cerca de R$ 6,5 bilhões, a migração para o Mercado Livre de Energia, a preparação para assumir a gestão do Canal do Sertão, além de investimentos em sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário e ações voltadas à segurança hídrica e à preservação ambiental.

Em entrevista, Luiz Neto faz um balanço dos desafios enfrentados, das conquistas alcançadas e das perspectivas para o futuro da Companhia e do saneamento em Alagoas.

Ao completar quatro anos na presidência da Casal, qual avaliação o senhor faz desse ciclo de gestão e quais foram as principais conquistas alcançadas pela Companhia nesse período?

Assumir a presidência da Casal representou um dos maiores desafios da minha trajetória profissional. Estamos falando da maior empresa pública de Alagoas, responsável pela produção de água tratada que chega diariamente a cerca de 2 milhões de pessoas em 76 municípios, além de uma instituição que completa 64 anos de história neste ano e que possui papel fundamental no desenvolvimento do nosso estado.

Faço uma avaliação extremamente positiva desse ciclo. Foram quatro anos de muito trabalho, planejamento e compromisso com a reestruturação da Companhia. Mas faço questão de destacar que nada disso teria sido possível sem o esforço coletivo de toda a diretoria da Casal, especialmente dos diretores Diego Gaia, Renato Paes e Marcos Fred, que tiveram papel fundamental na condução desse processo de transformação institucional.

Também foi decisivo o apoio e a confiança do governador Paulo Dantas, que compreendeu a importância estratégica da Casal para o futuro de Alagoas e sempre assegurou as condições necessárias para que a Companhia avançasse em modernização, investimentos e fortalecimento da sua capacidade operacional.

Conseguimos fortalecer a governança corporativa, implantar o orçamento-programa, modernizar nossos processos internos com a implantação de um sistema integrado de gestão empresarial (ERP) e consolidar uma cultura voltada para a transparência e eficiência.

Também promovemos uma importante reorganização patrimonial da Companhia. A regularização e contabilização dos ativos intangíveis resultaram em uma profunda reestruturação do balanço patrimonial, elevando o patrimônio líquido da Casal para um patamar próximo de R$ 6,5 bilhões e fortalecendo ainda mais a solidez financeira da empresa.

Outro marco importante foi a migração para o Mercado Livre de Energia. A Casal tornou-se a primeira estatal alagoana a adotar esse modelo, alcançando resultados expressivos em eficiência energética. Somente no triênio 2025/2027, a economia gerada pelo conjunto das ações de eficiência energética pode proporcionar uma redução de aproximadamente R$ 50 milhões nas despesas da Companhia.

Além dos avanços administrativos e financeiros, realizamos investimentos históricos em abastecimento de água, saneamento, segurança hídrica e sustentabilidade. Mais do que obras e números, acredito que o maior resultado desse período foi preparar a Casal para continuar sendo protagonista no desenvolvimento de Alagoas e na melhoria da qualidade de vida da população..

A Casal passou por um período de importantes mudanças no setor de saneamento em Alagoas. Quais foram os maiores desafios enfrentados pela sua gestão e como a Companhia se adaptou a esse novo cenário?

O maior desafio foi conduzir a Companhia durante uma das mais profundas transformações da história do saneamento brasileiro. O novo marco legal exigiu uma redefinição do papel das empresas públicas e demandou capacidade de adaptação, planejamento e visão estratégica.

A Casal precisou se reposicionar dentro desse novo modelo, concentrando sua atuação cada vez mais na produção e no fornecimento de água tratada para as concessionárias responsáveis pela distribuição. Esse processo exigiu ajustes operacionais, administrativos, financeiros e institucionais relevantes.

Nossa resposta foi investir em governança, modernização e eficiência. Fortalecemos os mecanismos de planejamento e controle, implantamos novas ferramentas de gestão, reorganizamos processos internos e promovemos uma ampla reestruturação patrimonial e financeira.

Também adotamos medidas importantes para fortalecer a sustentabilidade econômica da Companhia, como a reorganização das áreas de concessão e os investimentos em eficiência energética. Essas ações permitiram à Casal se adaptar ao novo cenário sem perder sua relevância estratégica.

Hoje, a Companhia está mais moderna, mais eficiente e mais preparada para enfrentar os desafios futuros do setor, mantendo seu protagonismo na segurança hídrica e no desenvolvimento de Alagoas.

Durante sua gestão, a Companhia avançou em projetos voltados à segurança hídrica e ao fortalecimento do abastecimento em diversas regiões do estado. Quais entregas o senhor considera mais importantes para a população alagoana?

Quando falamos em segurança hídrica, estamos falando sobre garantir qualidade de vida, desenvolvimento econômico e oportunidades para milhares de famílias. Nesse aspecto, tivemos conquistas muito importantes ao longo desses quatro anos.

Destaco inicialmente a preparação da Casal para assumir a gestão efetiva do Canal do Sertão, considerada a maior obra hídrica da história de Alagoas. Trata-se de um ativo estratégico para o abastecimento humano, para a produção agrícola e para o desenvolvimento econômico do Sertão alagoano.

Também avançamos significativamente na regularização ambiental dos nossos sistemas. Hoje, cerca de 90% das captações superficiais operadas pela Companhia possuem outorgas de direito de uso dos recursos hídricos, fortalecendo a segurança operacional, a conformidade regulatória e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento.

Paralelamente, consolidamos o monitoramento das barragens sob responsabilidade da Casal, com inspeções técnicas permanentes, acompanhamento de instrumentação e revisões periódicas de segurança, ampliando a confiabilidade das estruturas hídricas administradas pela Companhia.

Entre as entregas, destaco o novo sistema de captação de Piaçabuçu, que solucionou um problema histórico causado pela salinização da água na região; a nova ETA de Matriz de Camaragibe, que ampliou em 40% a produção de água tratada no município; e a nova adutora de São Brás, que reforçou a segurança hídrica do Baixo São Francisco e ampliou significativamente a capacidade do sistema.

Outro investimento histórico ocorreu no Sistema Coletivo da Bacia Leiteira. Pela primeira vez em mais de 30 anos de operação, os conjuntos motobombas da estação de captação foram substituídos. Foram investidos mais de R$10 milhões, sendo cinco milhões com recursos próprios da Companhia, garantindo mais segurança operacional e reforçando o abastecimento para mais de 200 mil pessoas em 19 municípios.

Além disso, implantamos aproximadamente 70 quilômetros de adutoras em diversas regiões do estado e levamos água tratada para comunidades que aguardavam esse serviço há décadas. São investimentos que permanecem por gerações e que representam o verdadeiro papel social da Casal.

Além dos investimentos em abastecimento de água, a Casal também avançou em importantes projetos de esgotamento sanitário. Qual a relevância dessas iniciativas para a população?

O saneamento básico é uma das ferramentas mais poderosas de transformação social. Quando investimos em coleta e tratamento de esgoto, estamos investindo diretamente em saúde pública, preservação ambiental, valorização urbana e qualidade de vida. Por isso, os avanços obtidos nessa área durante nossa gestão têm um significado muito especial.

Um dos maiores marcos desse período foi a entrada em operação da Estação de Tratamento de Esgoto Caçadores, em Maceió. A obra integra um sistema que recebeu investimentos de aproximadamente R$ 185 milhões e passou a beneficiar cerca de 120 mil moradores dos bairros Farol, Gruta de Lourdes, Pitanguinha, Canaã, Jardim Petrópolis e Santo Amaro. Com esse avanço, a capital alcançou cerca de 70% de cobertura de esgotamento sanitário, um resultado histórico para a cidade.

Também tivemos a entrega da Estação Elevatória de Esgoto EEE-03, uma estrutura que fortalece o sistema de esgotamento sanitário de Maceió. Com investimentos de aproximadamente R$ 43 milhões, a unidade beneficia diretamente mais de 130 mil moradores dos bairros Tabuleiro do Martins, Santa Lúcia, Santos Dumont e Clima Bom. Sua função é bombear o esgoto bruto coletado nessa região até a Estação de Tratamento de Esgoto Benedito Bentes, ampliando a eficiência operacional do sistema e contribuindo para a melhoria das condições ambientais e sanitárias da capital.

Mas eu gostaria de destacar também uma iniciativa que demonstra a capacidade da Casal de encontrar soluções para demandas que impactam diretamente a vida das pessoas. Em Arapiraca, estruturamos uma solução para o sistema de esgotamento sanitário do Residencial Brisa do Lago, com investimento de aproximadamente R$1 milhão. A ação contempla recuperação operacional, adequação ambiental, biorremediação e operação assistida das unidades existentes, garantindo a continuidade do tratamento dos efluentes e a prestação adequada do serviço à comunidade.

Esses investimentos demonstram que a Casal compreende o saneamento de forma ampla. Não se trata apenas de obras de engenharia, mas de promover saúde, proteger os recursos naturais, preservar os corpos hídricos e oferecer mais dignidade para a população. 

A Casal passou por um amplo processo de transformação nos últimos anos. Como o senhor enxerga o legado desse ciclo de gestão e o papel da Companhia para o desenvolvimento de Alagoas?

Acredito que o principal legado desse período seja a consolidação de uma Casal mais forte, moderna, eficiente e preparada para o futuro. Tivemos a responsabilidade de conduzir a Companhia durante uma das maiores transformações da história do saneamento brasileiro e de dar continuidade ao processo de reestruturação do setor iniciado pelo Governo de Alagoas, preservando o protagonismo da empresa na produção de água e fortalecendo sua relevância estratégica para o estado.

    Esse avanço foi construído de forma coletiva. Ao longo desses quatro anos, contamos com uma diretoria técnica e comprometida, formada por profissionais como Diego Gaia, Renato Paes e Marcos Fred, que contribuíram diretamente para que a Casal alcançasse resultados históricos em gestão, investimentos e modernização.

    Também é importante reconhecer o papel do governador Paulo Dantas, cuja visão estratégica e compromisso com o fortalecimento da infraestrutura hídrica e do saneamento foram fundamentais para que a Companhia pudesse avançar em projetos estruturantes para Alagoas.

    Hoje, a Casal é a maior produtora de água tratada de Alagoas e desempenha um papel crucial para a segurança hídrica do estado.

    Mas o papel da Casal vai muito além do abastecimento humano. Água é desenvolvimento. Nenhuma cidade cresce, nenhuma indústria se instala e nenhum empreendimento prospera sem segurança hídrica. Por isso, temos trabalhado para fortalecer a infraestrutura necessária ao crescimento do estado.

    Depois de quatro anos à frente da Companhia, quais são as prioridades da Casal para os próximos anos e quais perspectivas o senhor visualiza para o futuro do saneamento em Alagoas?

    Vejo o futuro da Casal com muito otimismo e senso de responsabilidade. Construímos bases sólidas nos últimos anos e agora temos condições de avançar ainda mais na consolidação da Companhia como uma empresa pública mais resiliente e dinâmica.

    Tenho convicção de que esse trabalho continuará sendo conduzido de forma coletiva, com o empenho da diretoria da Companhia, dos nossos colaboradores e com o apoio permanente do governador Paulo Dantas, que tem demonstrado compromisso com o fortalecimento da segurança hídrica e da infraestrutura de Alagoas.

    Uma das nossas principais prioridades é consolidar a gestão do Canal do Sertão. Estamos falando da maior obra hídrica do estado e de um empreendimento que terá papel decisivo no abastecimento humano, no fortalecimento da atividade agrícola e no desenvolvimento econômico de diversas regiões alagoanas.

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